quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Econopopéia

US$ 1.510, 09 Inauguro em cash

A poética econômica.


São contos e redescontos:

Juras de amor – overnight;

Juros do fiador – lua, tão imensa e amarela.


Renda-se o mundo! Quem é seu arrendatário?

O portfólio de Monet içou.

Faça-se impressionismo bancário: Bolha de tulipas.


Econoarte, espe(ta)culação,

Liras e libras fazendo uma só econopopéia.

Marília de Dirceu – De Gonzaga e Fisher,

Neoclassicismo de Stravinski e Walras.


Ultra-keynesianismo romântico

De Modigliani e Byron – Ciclos de vida e morte:

Somos todos passivos na contabilidade do tempo.


Depressão.


Mais-valia relativismo à absoluta dependência

Do ritmo, forma e rima na poesia manufaturada.

Schumpeteriei-me.


Qual o valor-de-uso? Poupe-me!

Está consumido.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A guerra, o conto, o café, o quê?


Muitas vezes paro e me pergunto: “Qual a minha luta? Em que estou engajado? Estou engajado?"

Existe uma luta terrível, uma batalha sangrenta e desleal. Uma chacina, um extermínio em massa. O inimigo é a falência moral, a guerra é contra o tombo espiritual da humanidade. E que queda! Cai puxando tudo ao redor.

Que estranho: a vida no Reino, essa abundante, tem tomado um significado gigantesco e ao mesmo tempo sutil para mim. É um ousado convite. Um chamado que faz com que me arrepie e queira pintar a cara e gritar aos quatro cantos agitando bandeira. Mas, gritar o quê?

A proposta de Cristo tem se tornado mais prática e, ao mesmo tempo, mais profunda. É um mistério tão profundo que não sei dar nome, nem rosto. Só sinto, e sinto muito forte. Talvez, se me esforçar, até consiga descrever e catalogar esse segredo que está se desvendando. Mas a verdade é que um dos pontos centrais da vida na graça é que ela não deve ser explicada, conceituada. Não adianta. Ela deve ser vivida.

Que agonia! Como posso mudar o mundo sem dizer palavra direta? Preciso escrever um tratado sociológico-econômico, um compêndio filosófico-teológico, um manifesto político claro e objetivo, um livro de auto-ajuda. Não. Veja como o Mestre fazia. Ele contava histórias. Metaforizava tudo o que fazemos questão de tentar explicar tim tim por tim tim.

O Mestre contava histórias e fazia mais: vivia vida ainda mais brilhante que as narradas em seus contos. Ele escarnecia, sem palavras, mas em alto e bom tom: “Vocês gostam de contos de fadas? Isso é porque ainda não experimentaram o que é a vida real!”. As metáforas eram mais que a linguagem dessa figura. Eram sua vida.

Nós perdemos a batalha porque ainda estamos afundados na briga com a nossa própria falência moral. Nós perdemos a batalha porque mal entramos nela. Gastamos todo nosso tempo tentando conciliar nossa fé meia-boca com nossa vontade toda-boca, nossa pressa, ansiedade. A semente foi lançada e parece que só encontrou espinhal. “As preocupações dessa vida e o engano das riquezas a sufocam”.

Não estamos engajados na luta silenciosa pela Vida Abundante (ou vida eterna, se preferir) porque “as preocupações dessa vida” não são preocupações com a vida, mas com a morte. Fomos vivificados e não levantamos do caixão. Que triste, que triste.

E sabe do que mais? Estou gastando tempo aqui escrevendo, na esperança de que alguém entenda o que eu mesmo não consigo verbalizar, sendo que a conclusão é que isso não serve de nada. Ou de muito pouco.

Por isso, meus amigos, tentarei fazer minha parte. Daqui pra frente só contarei histórias das mais fantásticas possíveis. E buscarei a terra roxa pra plantar meu pé de café. Quero distribuir xícaras e xícaras pra despertar defundo.

Hasta la victoria!...ou melhor: Hasta la Glória!


terça-feira, 26 de maio de 2009

Passarinho de três asas

Por Felipe Reina

Quando nasci, meu pai me tomou nos braços, ergueu-me acima de seu rosto e disse: “Esse não é menino, é sabiá”. Muitos no Morro acharam tremenda maldade caçoar da minha deficiência, minhas pernas atrofiadas e finas que pendiam do meu corpo, mas foi apenas momento, pois o resto da minha vida na favela eu fui chamado assim: Sabiá.

A minha infância foi dura. O morro não foi feito pra perna, e muito menos pra roda. A minha cadeira se limitava ao deslocamento do meu quarto para a laje, e da laje para o quarto. Qualquer outra coisa que quisesse fazer, mesmo ir à cozinha, tinha de ser carregado. Passei a viver pra dentro.

Minha família tinha seis pessoas. Três irmãs, mãe e pai. Eu era o menor. Quando fiz nove anos, minhas irmãs já tinham tamanho pra lavar louça e fazer faxina, mas meu pai sempre dizia: “Nem mulher minha e nem filha minha vai trabalhar enquanto eu estiver vivo. Assim era na Paraíba, assim será aqui!”. Essas afirmações me matavam. Como poderia trabalhar na obra com papai para ajudar a família? À noite, meus olhos infantis enchiam-se de lágrimas.

Certa feita, meu pai me encontrou chorando na cama. Com uma expressão muito severa, falou, segurando meus ombros: “Por que ta chorando? Já disse que você não é homem. Você é passarinho”. Assustado, engoli o choro.


Eu via o mundo do morro. As pipas que cortavam o céu, que se cortavam de dia. Os faróis amarelos e vermelhos na Avenida Brasil à noite. Vivia olhando e ouvindo, mas pouco falava, pouco sorria.

Eu descia o morro amarrado nas costas da minha mãe para ir à escola. Mas subia com minha irmã. Na tentativa de me entreter, minha irmã passou a deixar-me no campinho depois da escola, para assistir aos meninos jogando bola. Era fabulosa a forma como corriam e driblavam.

Os meninos me colocaram como mascote. Deram até meu nome ao time. Toda vez que faziam gol, corriam gritando em minha direção: “É Sabiá, é Sabiá!”. Jogavam-me pra cima. Eu dava gargalhada e os incentivava. Mas, por dentro, lá dentro, odiava vê-los.

Na noite da final do campeonato, depois de toda a festa da vitória, fui para a laje espiar o mundo e chorei um choro amargo. Meu pai me viu. Olhou-me por alguns segundos e saiu sem dizer palavra.

No outro dia, ele é quem foi me buscar na escola. Amarrou-me e começou a subir o morro. Adorava ser carregado por ele. Sentir seu cheiro forte, suas mãos sujas de massa, sua barba que me arranhava o rosto, seu pescoço negro. Nada no mundo me atingiria. Ele não falava nada, não precisava.

Quando chegamos, ele me pôs na cadeira de rodas e disse: “Filho, passarinho de três asas é cata-vento”. Passou a mão em meus cabelos e se foi. Fui até a laje olhar o mundo e lá estava, na muretinha, um cata-vento vermelho e branco. Fiquei soprando e pensando como seria um passarinho de três asas.

Para a minha surpresa, meu pai começou a sair mais cedo do trabalho toda terça-feira para me carregar para casa. Às vezes, sequer ouvia sua voz, mas sentia amor em seus olhos. Quando falava, eram poucas palavras, mas se completavam. Era como se quisesse me ensinar uma coisa que poderia ser dita de uma só vez, mas preferia me explicar aos poucos.

Certo dia, paramos num matagal onde tinha um pé de caju e um ninho. Papai subiu comigo e me mostrou os filhotes pelados. “Olha, filho, passarinho de três asas demora, mas voa”. Hoje sei que não, mas na época jurava ter visto um passarinho de três asas naquele ninho.

Na manhã de natal, ainda com os mesmos nove anos de idade, saí para ver as pipas e não acreditei no que tinha na minha frente. Havia uma bola grande e laranja no meio da laje e uma cesta pendurada. Peguei a bola que tinha cheiro forte de borracha. Olhei para a cesta. Não lancei. Voltei para o quarto e me deitei. Papai me viu e retirou-se.

Durante uma semana inteira meu pai não falou comigo e eu não peguei a bola. Olhava para a cesta, para as pipas e soprava meu cata-vento. À noite, um barulho forte me acordou. Papai estava jogando basquete na laje. Saí e fiquei olhando. Ele não tinha jeito nenhum com a bola. Depois de algumas tentativas ele me disse: “Filho, passarinho de três asas quando anda é desengonçado, mas quando voa, filho, quando voa é furacão!”. Jogou-me a bola. Eu tremia de medo, mas os olhos de papai não me deixavam recuar. Lancei e errei. Mal tinha forças para acertar na cesta. Ele buscou a bola novamente. “Sabiá, voa do jeito da tua natureza! Se não sabe bater asa, que dê pirueta!”. Deixou-me com a cesta.

Passei as férias jogando basquete dia e noite. Papai aumentou o muro ao lado da laje para a bola não cair lá embaixo. Com o tempo fui melhorando e quando chegou o dia de voltar para a escola, já estava craque. Foi meu pai, e não minha mãe, quem me carregou para a escola no primeiro dia daquele ano.

Senti estranheza quando meu pai tomou um caminho diferente. Andou pela cidade um bom pedaço de chão. Chegamos numa outra escola, bem bonita. Era um lugar para pessoas especiais. Depois de conversar com algumas pessoas num balcão, meu pai foi entrando por uns corredores e parou de frente para uma porta dupla, muito larga. Abriu a porta. Era uma quadra linda e brilhosa cheia de meninos cadeirantes como eu, jogando basquete. “Agora eu sei que você consegue, Sabiá. voa!”. Foi assim que meu pai me empurrou do galho.

sábado, 2 de maio de 2009

Amizade (para Gil)


Suave acalento em timbre de mãe
Ave, cais, vento de raras monções
Clave, tom, tempo de antigas canções
Chave do acabamento em mãos artesãs
Sua amizade

Sumário do firme intento das chagas cristãs
Canários, figos, fogos, concha dos ermitões
Casório de fé e logos, chama das orações
Cenário do firmamento em belas manhãs
Sua amizade


domingo, 29 de março de 2009

Expressão de Louvor

Meus amigos e transeuntes, esse texto é o mais despretensioso no que diz respeito à eloquência, originalidade, refinamento artístico ou coisas do gênero.

Esse texto é simples, como podem ver. Simples porque é repleto de uma outra pretensão. Pretensão essa inatingível e ao mesmo tempo tão fácil de alcançar. 

Esse texto é uma canção de louvor. Sim, louvor a Deus. 

Quero somente que todos saibam quanto me sinto feliz e completo pelo dom da vida. Não me importo se alguém acha que isso é clichê. Ah, se eu fosse capaz de lembrar-me desse clichê todos os dias! Viveria sempre feliz, sempre leve, sempre bem disposto...paz na solidão, paz na multidão. Paz com Deus.

Eu amo a Deus e sou muito feliz por estar vivo e vivo pra sempre. Faço vinte e um anos de uma história que breve se desmanchará do tempo e continuará na ausência dele: Sempre, sempre, sempre.

Convido você, meu querido leitor, a se juntar a mim e agradecer ao Senhor, doador da vida, pela sua eterna bondade.

Louvado, lembrado, cantado, pintado, esculpido, dançado, dramatizado, romantizado, erigido, retido, espalhado, sentido, doado, engrandecido seja o amor de Jesus Cristo que se expressa de inúmeras formas, e o Seu nome que é acima de todos os outros. 

Por fim, a música que amo e que elucida perfeitamente o sentimento que tenho:

Expressão de Louvor (Logos)

Acordar bem cedo e ver o dia
A nascer e o mato molhado,
Anunciando o cuidado, o
Cuidado, o cuidado, huum. 

Sob o brilho intenso como espelho
A reluzir. desvendando o mais
Profundo abismo. minha alma,
Tua alma, nossa alma êê ô.

Dentro do meu peito bate forte um coração 
De minha boca salta uma voz,
Como expressão (expressão de Louvor)

Enfrentar a lida até chegar o fim. 
Que será apenas o começo
De uma vida, outra vida.
E que vida, nova vida! 

Ele é Jesus a minha luz! 
Nova Vida 
Ele é jesus, a minha luz!




domingo, 15 de março de 2009

Sublimação

Volátil.

Um estado, eu pisco, um outro. E sobe rarefeito, e sobe, dito e feito: o humor se desmancha na geada e tomba seco no ciclo.

Volátil.

O frio em pedra, e, grosso modo, não mudo, sou eu meu mundo e vagueio a passar os olhos nas minhas possessões.

Volátil.

Sem intermédio, atonal, pedra de éter, eterno espetáculo de mim. Desprendo no ar até minhas convicções naftalina.

Volátil.

Um desejo, o não-desejo, o seu que é mais fácil. Toda a fluidez gasosa do meu devaneio preferido e cá pra dentro já é longe.

Volátil.

E um sol de justiça, ameno, ameno, aquece perfeito o ar que me cerca e cerra pra fora, ao menos agora, o ciclo sem fim.

Volátil

Que acordo na queda virtuosa e caio em mim-líquido rezando para permanecer assim.