quarta-feira, 10 de junho de 2009

A guerra, o conto, o café, o quê?


Muitas vezes paro e me pergunto: “Qual a minha luta? Em que estou engajado? Estou engajado?"

Existe uma luta terrível, uma batalha sangrenta e desleal. Uma chacina, um extermínio em massa. O inimigo é a falência moral, a guerra é contra o tombo espiritual da humanidade. E que queda! Cai puxando tudo ao redor.

Que estranho: a vida no Reino, essa abundante, tem tomado um significado gigantesco e ao mesmo tempo sutil para mim. É um ousado convite. Um chamado que faz com que me arrepie e queira pintar a cara e gritar aos quatro cantos agitando bandeira. Mas, gritar o quê?

A proposta de Cristo tem se tornado mais prática e, ao mesmo tempo, mais profunda. É um mistério tão profundo que não sei dar nome, nem rosto. Só sinto, e sinto muito forte. Talvez, se me esforçar, até consiga descrever e catalogar esse segredo que está se desvendando. Mas a verdade é que um dos pontos centrais da vida na graça é que ela não deve ser explicada, conceituada. Não adianta. Ela deve ser vivida.

Que agonia! Como posso mudar o mundo sem dizer palavra direta? Preciso escrever um tratado sociológico-econômico, um compêndio filosófico-teológico, um manifesto político claro e objetivo, um livro de auto-ajuda. Não. Veja como o Mestre fazia. Ele contava histórias. Metaforizava tudo o que fazemos questão de tentar explicar tim tim por tim tim.

O Mestre contava histórias e fazia mais: vivia vida ainda mais brilhante que as narradas em seus contos. Ele escarnecia, sem palavras, mas em alto e bom tom: “Vocês gostam de contos de fadas? Isso é porque ainda não experimentaram o que é a vida real!”. As metáforas eram mais que a linguagem dessa figura. Eram sua vida.

Nós perdemos a batalha porque ainda estamos afundados na briga com a nossa própria falência moral. Nós perdemos a batalha porque mal entramos nela. Gastamos todo nosso tempo tentando conciliar nossa fé meia-boca com nossa vontade toda-boca, nossa pressa, ansiedade. A semente foi lançada e parece que só encontrou espinhal. “As preocupações dessa vida e o engano das riquezas a sufocam”.

Não estamos engajados na luta silenciosa pela Vida Abundante (ou vida eterna, se preferir) porque “as preocupações dessa vida” não são preocupações com a vida, mas com a morte. Fomos vivificados e não levantamos do caixão. Que triste, que triste.

E sabe do que mais? Estou gastando tempo aqui escrevendo, na esperança de que alguém entenda o que eu mesmo não consigo verbalizar, sendo que a conclusão é que isso não serve de nada. Ou de muito pouco.

Por isso, meus amigos, tentarei fazer minha parte. Daqui pra frente só contarei histórias das mais fantásticas possíveis. E buscarei a terra roxa pra plantar meu pé de café. Quero distribuir xícaras e xícaras pra despertar defundo.

Hasta la victoria!...ou melhor: Hasta la Glória!


14 comentários:

Miguel Del Castillo disse...

Reina, quando eu crescer quero ser que nem vc.

"o mestre contava histórias"

sim, meu amigo, vamos contar histórias, juntos, até nos tornarmos uma, como Sherazade,

narrando as viagens do presente, do passado e do futuro, tudo ao mesmo tempo

to com vc nessa.

patrícia disse...
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patrícia disse...

"Estou gastando tempo aqui escrevendo, na esperança de que alguém entenda o que eu mesmo não consigo verbalizar, sendo que a conclusão é que isso não serve de nada."

acho um equívoco seu.

minha avó disse que as palavras saem, transparentes e de baixíssima densidade, se perdendo no ar. imagino, então, que depois de lidas ou escritas, elas saem, como que dentro de bolhas-de-sabão, com um bem lustroso furtacor. um dia, explodem, e se esparramam no espaço até o certo lugar: lugares incertos, indizíveis, impossíveis. nunca poderemos medir o quanto e o quando e o onde e o porque Deus vai brincar, com o vento e o tempo, de catar com as mãos nossas bolhas e explodi-las, deixando cair, onde não há, certas palavras.

além do mais, verbalizar, depois de João, é mais-que-perfeito.

adorei o texto (:

Stella disse...

ah, reina... não me faz chorar... =_)

thexman::. disse...

legal cara, é isso mesmo

Fernanda. disse...

sabe no que pensei? no "reininha" pequeno contando estórias pra familia =)
" Daqui pra frente só contarei histórias das mais fantásticas possíveis."
Acho a simplicidade um alento, sabe? É o caminho a se perseguir... tão feliz quanto se possa ser.

Bianca disse...

Um desabafo.
É um bom começo...

Eu tenho me perguntado muitas coisas sobre a prática [práxis] do cristianismo que quero exercer. E as melhores respostas são as perguntas que faço às minhas próprias perguntas.

Faz sentido?

Ao invés de me perguntar "Devo levar o cristianismo ao mundo?", eu me pergunto "Qual cristianismo devo levar?"

As respostas têm sido as mais inquietantemente confortantes possíveis...

Vou organizar as idéias para tentar compartilhar melhor. ;]

Deus nos ajude!

Liege Lopes disse...

Palavras inquietantes...

Juliana Pimenta disse...

cheguei até aqui. que bom.
voltarei mais vezes. siga contando histórias.

Adrianne Marreco disse...

Reina lindu!
Amei seu blog, seu texto...sinto como vc sente...=/
Te espero aqui!
bjus

vitrola disse...

Li!
Foi uma irmandade quem leu.
Eu, Gabi e Vaguinho.

Achei ótimo, reinudo.

escrita boa

bjos!

saxcp2 disse...
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saxcp2 disse...

Disse tudo...

... Precisamos de café!

...muito café!!!


Ass: Lucas

leo disse...

essas pelavras não foram em vão, pois falaram muito comigo.


se elas foram poucas?
R: só se eu não puser elas em prática junto com o que já aprendi e me empenhar em aprender mais, a práxis como citada acima.


conclusão:
estou com o lucas, preciso de mais café.


ass: leandro

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